Nova, a classificação de alimentos que te auxilia a reconhecer os melhores alimentos para manter uma alimentação saudável
- há 4 dias
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Falar em alimentação saudável não é falar apenas de calorias ou de macronutrientes. É falar de comida de verdade, de contexto, de cultura e de sistema alimentar.
O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde (2014), trouxe uma das contribuições mais relevantes para a nutrição contemporânea: classificar os alimentos segundo o grau e o propósito do processamento industrial.
Essa classificação, a Nova, simplifica decisões e devolve autonomia aos consumidores.
Por que entender as classes dos alimentos?
A classificação proposta pelo Guia organiza os alimentos em quatro categorias. O critério não é o teor de gordura ou de carboidrato. É o quanto e por que o alimento foi modificado antes de chegar ao prato.
Essa organização permite responder, com clareza:
Esse alimento é base da alimentação ou complemento?
Ele foi minimamente alterado ou profundamente transformado?
Está mais próximo da natureza ou da indústria?
Quando essa diferença fica evidente, as escolhas se tornam mais conscientes e mais coerentes com a saúde.
1. Alimentos in natura ou minimamente processados
São alimentos obtidos diretamente de plantas ou animais e que não sofreram alterações ou passaram apenas por processos mínimos, como limpeza, moagem ou pasteurização.
Exemplos:
Frutas, verduras e legumes
Arroz, feijão, lentilha
Batata, mandioca e outros tubérculos
Leite, ovos, carnes frescas
Castanhas e sementes
Esses alimentos devem constituir a base da alimentação. São nutricionalmente equilibrados, ricos em fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos. Além disso, estruturam padrões alimentares tradicionais, como o arroz com feijão, reconhecido por sua complementaridade nutricional.
A escolha por alimentos predominantemente vegetais também tem implicações ambientais e sociais importantes, favorecendo sistemas alimentares mais sustentáveis.
2. Ingredientes culinários processados
São substâncias extraídas de alimentos ou da natureza e utilizadas para temperar e cozinhar.
Exemplos:
Óleos e azeites
Sal
Açúcar
Esses ingredientes não substituem alimentos. Sua função é viabilizar preparações culinárias. Quando utilizados com moderação, em receitas baseadas em alimentos in natura, contribuem para variedade, sabor e tradição gastronômica.
O problema não está na existência desses ingredientes, mas no uso excessivo, especialmente quando incorporados em produtos ultraprocessados.
3. Alimentos processados
São produtos fabricados com a adição de sal, açúcar ou outra substância culinária a alimentos in natura.
Exemplos:
Queijos
Pães tradicionais
Conservas
Frutas em calda
Podem fazer parte da alimentação, desde que em pequenas quantidades e compondo refeições baseadas majoritariamente em alimentos minimamente processados.
O cuidado aqui é quantitativo. O processamento altera a composição nutricional, geralmente aumentando teor de sódio, açúcar ou densidade calórica.
4. Alimentos ultraprocessados
São formulações industriais compostas majoritariamente por substâncias extraídas ou sintetizadas a partir de alimentos, combinadas com aditivos como corantes, aromatizantes, emulsificantes e realçadores de sabor.
Exemplos:
Refrigerantes
Biscoitos recheados
Macarrão instantâneo
Salgadinhos de pacote
O Guia é claro: esses produtos devem ser evitados.
Eles apresentam composição nutricional desbalanceada, alta densidade calórica, excesso de sódio, açúcar e gorduras de baixa qualidade. Além disso, são formulados para estimular consumo excessivo e frequentemente substituem refeições tradicionais.
O impacto vai além da saúde individual. O padrão alimentar baseado em ultraprocessados enfraquece práticas culinárias, reduz a comensalidade e contribui para sistemas alimentares ambientalmente insustentáveis.
Reconhecer é assumir protagonismo
Compreender as classes dos alimentos é mais do que um exercício conceitual. É uma ferramenta prática para organizar a rotina alimentar.
A estrutura é simples:
Base: alimentos in natura ou minimamente processados
Complemento moderado: ingredientes culinários e alimentos processados
Evitar: ultraprocessados
Essa organização reduz a complexidade das decisões e fortalece a autonomia. Alimentação saudável deixa de ser uma soma de nutrientes e passa a ser um padrão alimentar coerente, culturalmente possível e sustentável.
No consultório, o que observo é que, quando o paciente entende essa lógica, a mudança se torna mais consistente e menos dependente de regras rígidas. Ele passa a reconhecer padrões, e isso transforma escolhas diárias.



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